
A Universidade do Québec em Chicoutimi (UQAC), no Canadá, recebeu em janeiro duas das principais referências internacionais em dança inclusiva para a realização de uma programação especial dedicada à dança em cadeira de rodas, modalidade desenvolvida e consolidada no Brasil ao longo de mais de 25 anos. A iniciativa marcou o início de um intercâmbio acadêmico e cultural que projeta a experiência brasileira no cenário internacional.
As atividades foram conduzidas pela Profa. Dra. Eliana Ferreira, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e pela Profa. Luciene Rodrigues, representante da Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas (CBDCR). Juntas, as especialistas apresentaram à comunidade acadêmica canadense um modelo de formação que articula pesquisa científica, prática artística e inclusão social.
Durante a conferência, Eliana Ferreira apresentou um panorama histórico e pedagógico da dança em cadeira de rodas no Brasil, destacando o processo de construção, consolidação e expansão da modalidade, hoje reconhecida como referência internacional. A professora abordou os desafios enfrentados ao longo desse percurso e os impactos sociais, educacionais e culturais gerados pela prática em diferentes regiões do país, evidenciando a dança como ferramenta de transformação e acessibilidade.
Na sequência, o ateliê prático de dança inclusiva, conduzido por Luciene Rodrigues Fernandes, proporcionou aos participantes uma experiência corporal direta com os princípios que sustentam a proposta brasileira. As vivências enfatizaram a escuta do corpo, a criação coletiva e a valorização da diversidade de movimentos, permitindo que estudantes, docentes e membros da comunidade experimentassem, na prática, os conceitos discutidos na conferência.
A programação integrou uma proposta de difusão internacional do conhecimento produzido no Brasil, baseada em pesquisas acadêmicas e na atuação profissional desenvolvida ao longo de décadas. O encontro promoveu o diálogo entre universidade, práticas inclusivas e comunidade, ampliando o alcance social da dança em cadeira de rodas.
De acordo com a organizadora do evento, Profa. Dtda. Luciola Fernandes dos Santos, responsável também pela tradução das atividades para o francês, o interesse despertado junto às instituições locais aponta para o início de projetos permanentes de dança inclusiva na região ainda neste ano, tendo o modelo brasileiro como referência.
A expansão internacional da dança em cadeira de rodas reflete um trabalho consistente de base, sustentado pela articulação entre universidades brasileiras e a CBDCR, que há anos investem na formação, na pesquisa e na inclusão por meio da arte e do esporte.
Ao receber as professoras brasileiras, a UQAC reafirma seu compromisso com práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas e fortalece laços de cooperação internacional. A iniciativa evidencia a dança inclusiva como uma linguagem que ultrapassa o campo artístico, afirmando-se como instrumento de educação, expressão e transformação social.
Mais do que uma ação pontual, a presença das professoras brasileiras no Canadá inaugura um novo ciclo de cooperação internacional em dança inclusiva, com potencial para a criação de programas permanentes de formação, pesquisas conjuntas, intercâmbio de estudantes e expansão da modalidade para outros países. O modelo desenvolvido no Brasil, que vem sendo projetado internacionalmente, reafirma o papel da universidade pública e das instituições brasileiras como produtoras de conhecimento, inovação e impacto social, demonstrando que a inclusão, quando aliada à arte e à ciência, é capaz de atravessar fronteiras, transformar práticas educacionais e redefinir os sentidos de acessibilidade no cenário global.
A história que levou a dança em cadeira de rodas do Brasil ao Canadá e em outros países começou em salas de aula, ginásios, projetos de base e no trabalho silencioso e contínuo de educadoras que escolheram construir, dia após dia, uma prática comprometida com a inclusão real. Essa trajetória demonstra que a educação não se faz por improviso ou retórica, mas por trabalho consistente, pesquisa, formação e escuta, capazes de transformar experiências locais em referências globais. Ao cruzar fronteiras, essa história reafirma que quando o conhecimento é construído com compromisso e responsabilidade social, ele ganha o mundo — e transforma realidades.

