No dia 2 de abril, data que marca o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, discutir o Transtorno do Espectro Autista (TEA) vai além da informação básica: é necessário ouvir quem vive essa realidade.
Manoel, adulto com TEA, compartilha uma visão centrada na autonomia, no pensamento crítico e na importância de romper estigmas ainda presentes na sociedade. Atualmente, sua rotina é guiada pelos estudos. Mais do que uma obrigação, ele enxerga o aprendizado como uma ferramenta para compreender o mundo. “Também gosto de aperfeiçoar habilidades úteis para o dia a dia. Vejo o estudo não apenas como uma obrigação, mas um meio para compreender questões da vida”, explica.
Apesar da crescente visibilidade do TEA, Manoel destaca que ainda há muita desinformação. Para ele, o debate precisa ser conduzido com responsabilidade. “Embora o tema seja muito difundido, ele ainda é pouco compreendido. É fundamental que o assunto seja debatido de forma assertiva por quem realmente entende do espectro, para que possamos reduzir os estigmas existentes. ”
Entre os pontos que mais o incomodam está a superficialidade com que o tema é tratado. “Emitir opiniões sem o devido embasamento” é, segundo ele, um dos principais problemas enfrentados.
No cotidiano, a organização é uma aliada importante. O planejamento, mesmo em tarefas simples, contribui diretamente para sua qualidade de vida e produtividade.
Ao olhar para o futuro e para a sociedade, Manoel reforça uma pauta essencial: o acesso ao ensino superior para pessoas com TEA. “Garantir o acesso de pessoas com TEA ao ensino superior é fundamental, pois o ambiente acadêmico promove o pensamento crítico e a autonomia necessária para a vida. ”
Para sintetizar sua experiência, ele recorre ao pensamento do filósofo Michel Foucault, em Vigiar e Punir (1975): “a norma aparece como o princípio de controle”.
A reflexão evidencia que compreender o TEA também passa por questionar padrões e
ampliar a forma como a sociedade enxerga as diferenças.

